Ceratocone

O ceratocone é uma doença da córnea, caracterizada pela aumento progressivo e irreversível de sua curvatura, bem como pela diminuição progressiva de sua espessura. Em outras palavras, a córnea (parte mais anterior do olho), torna-se “pontuda” e “fina”. Na evolução natural do ceratocone, a córnea perde progressivamente sua conformação original (levemente curva) e adquire um formato atípico (extremamente curva, semelhante a um cone).

banner-tratamento-ceratocone-01
banner-tratamento-ceratocone-02

A causa exata do ceratocone ainda permanece desconhecida. Porém sabe-se que alguns genes estão diretamente envolvidos no aparecimento do ceratocone. Por isso, a presença do ceratocone é mais comum em membros de uma mesma família. Entretanto, sua evolução pode ser distinta entre os membros da família.
Sabe-se também que alguns fatores externos atuam acelerando a progressão do ceratocone, como traumas repetitivos durante o hábito de coçar os olhos cronicamente. Acredita-se também que a infecção por alguns vírus possa desencadear reações imunológicas capazes de estimular a progressão do ceratocone.

O ceratocone começa a se desenvolver geralmente na adolescência, a partir dos 13 anos de idade e apresenta seu pico de evolução entre os 15 e 25 anos. Entretanto, existem alguns casos de aparecimento e evolução precoces (antes dos 15 anos) e também casos de aparecimento e evolução tardia (após os 30 anos).

No estágio inicial do ceratocone, os pacientes apresentam baixa da visão (principalmente noturna) e aumento progressivo da miopia e principalmente do astigmatismo. Nesse estágio inicial, o uso de óculos ou lentes de contato gelatinosas é capaz de oferecer uma boa visão ao paciente. Felizmente, alguns pacientes se estabilizam nesse estágio inicial e não chegam a necessitar lentes rígidas.
Com a evolução do ceratocone, é esperado uma aumento progressivo da miopia e do astigmatismo. Nesses casos, a visão de longe diminui bastante e torna-se ainda pior a noite. Com a contínua progressão do ceratocone, o astigmatismo aumenta bastante e se tornar irregular (gerando uma imagem borrada e distorcida), e os óculos passam a não mais oferecer uma visão satisfatória. Nesse estágio, somente as lentes de contato duras (rígidas) são capazes de melhorar parcialmente a visão.

Muitos pacientes apresentam uma estabilidade relativa ou lenta progressão do ceratocone nesse estágio e, se estiverem bem adaptados as lentes de contato rígidas, conseguem levar uma vida normalmente, sem muitas restrições. Os pacientes não apresentam dor ou desconforto ocular nesses estágios iniciais da doença. O aumento da curvatura (formato de cone) não pode ser visto a olho nu.

Em muitos casos, infelizmente, o ceratocone continua evoluindo progressivamente e a adaptação e tolerância as lentes de contato rígidas vão se tornando cada vez mais limitadas. O aumento da protuberância na região central da córnea (cone) dificulta a estabilidade das lentes de contato, bem como diminui a visão do paciente. No estágio final do ceratocone, o transplante de córnea passa a ser a única alternativa terapêutica capaz de restabelecer parcialmente a visão.

A suspeita do ceratocone começa quando o paciente apresenta queixa de baixa visão e aumento progressivo do astigmatismo ou baixa visão mesmo com óculos. Nesses casos, muitas vezes o ceratocone já se encontra em um estágio evolutivo de moderado a avançado.
Atualmente, existem aparelhos mais específicos, capazes de detectar as formas iniciais do ceratocone (também chamados estágios subclínicos, quando o paciente ainda não apresenta sintomas importantes). Esses aparelhos são capazes de medir com extrema precisão a curvatura e a espessura da córnea, bem como seu grau de irregularidade.

A grande importância do diagnóstico precoce do ceratocone se deve as novas possibilidades terapêuticas, capazes de retardar a velocidade de progressão do ceratocone, como a nova técnica de crosslinking da córnea.
O ideal é que seja feita uma avaliação em todos os familiares dos pacientes portadores de ceratocone, dada sua aumentada incidência familiar. Com o intuito de se detectar casos iniciais do ceratocone.

O tratamento do ceratocone depende do seu estágio de evolução:

Estágio I (inicial) – Óculos e Lentes de Contato Gelatinosa + Crosslinking da córnea
Estágio II (inicial a moderado) – Lentes de Contato Rígida + Crosslinking da córnea
Estágio II/III (moderado) – Implante de Anel (indicado somente em casos específicos) + Crosslinking da córnea
Estágio IV (avançado) – Transplante de Córnea

Assim que diagnosticado o ceratocone, é imprescindível que o paciente faça um acompanhamento de perto com seu médico. Nos estágios iniciais do ceratocone, é fundamental tratar qualquer patologia de pálpebra e conjuntiva associada.

O objetivo é eliminar todo e qualquer microtrauma na córnea, geralmente desencadeado pelo hábito de coçar os olhos.

O uso de colírios lubrificantes e anti-alérgicos ajudam a prevenir a coceira.
Sendo detectada a progressão do ceratocone, mesmo após o controle de todos os fatores externos e locais do olho, é indicado o fortalecimento da córnea com o crosslinking da córnea.

A grande novidade no tratamento do ceratocone consiste no Crosslinking da córnea para retardar sua progressão. Paralelamente a isso, outras modalidades terapêuticas podem ser associadas ao Crosslinking para a redução da miopia e astigmatismo. Técnicas como o implante de lentes fácicas (ARTISAN), implante de anel estromal e implante de lentes intra-oculares podem ser realizadas em casos específicos.
Implante de Anel Intra-corneanoA grande novidade no tratamento do ceratocone consiste no   Crosslinking da córnea para retardar sua progressão.Paralelamente a isso, outras modalidades terapêuticas podem ser associadas ao Crosslinking para a redução da miopia e astigmatismo. Técnicas como o implante de lentes fácicas (ARTISAN), implante de anel estromal e implante de lentes intra-oculares podem ser realizadas em casos específicos.

A cirurgia de implante de anel estromal consiste na inserção de 1 ou 2 segmentos semi-lunares na córnea. Os anéis são mini próteses, transparentes e feitas de material biocompatível. Os anéis tem duração ilimitada e na maioria das vezes não precisam ser removidos ou substituídos.

anel2

O objetivo da cirurgia de implante de anel é reduzir a curvatura da córnea, melhorando a irregularidade do ceratocone e, como consequência, melhorando a visão do paciente.

A cirurgia de implante de anel é simples e indolor, com anestesia de colírios e sem necessidade de internação.

Atualmente o implante de anel pode ser feito com o Laser de Femtosegundo, acrescentando maior segurança e precisão ao procedimento.

Na Laser Vision temos um experiência muito sólida e positiva com os implantes de anéis.

As lentes de contato esclerais são lentes que se apoiam na esclera (parte branca do olho) ao invés da córnea (parte central, na frente da íris colorida). Por esse motivo as lentes esclerais são muito maiores do que as antigas lentes corneanas rígidas.

O grande diferencial é que a esclera (parte branca onde a lente ficará apoiada) é 10 vezes menos inervada do que a córnea. Portanto a lente escleral é 10 vezes mais confortável que as lentes rígidas gás permeáveis/siliconadas convencionais.

lente1

As lentes esclerais são colocadas com soro fisiológico, proporcionando maior lubrificação e evitando contato da lente com a córnea. As lentes esclerais são feitas com um material especial que permite a passagem do oxigênio, sem permitir a passagem de líquidos.

lente2

O maior diferencial da lentes escleral é o conforto e a estabilidade da visão, pois a lente não se movimenta como as lentes rígidas convencionais. Dessa forma, a lente escleral não cai dos olhos e permite a prática de diversas atividades esportivas, inclusive aquáticas.

O Dr. Marcelo Netto foi pioneiro na adaptação dessa modalidade de lentes esclerais  e é considerado uma referencia no Brasil com essas lentes (trabalhando com a empresa original nos EUA, chamada Acculens).